Um caipira que chegou a todos os cantos do Brasil com produção de 32 filmes

O Estado de S. Paulo, 15 de junho de 1995

Oswaldo Vitta

Mazzaropi tinha uma distribuidora para levar suas fitas aos lugares mais distantes

Quando se diz que os filmes de Mazzaropi eram vistos por todo o Brasil, não tenha dúvidas: Isso era mesmo verdade. Tanto que, atendendo pedidos de fãs de vilarejos distantes, normalmente esquecidos pelas distribuidoras, Mazzaropi montou uma empresa e, com ela, sua própria rede de fiscais, que tinham uma maquininha especial para controlar o número de espectadores.

Mazzaropi tem pouco a ver com essa onda sertaneja americanizada e aboleirada que está por aí. Mas, atento às modas como era, certamente aproveitaria o tema para um novo filme. Foi o que fez em produções como Betão Ronca Ferro, na época da novela Beto Rockfeller, e Pistola para Djeca, no auge dos westerns spaghettis.

História – Amácio Mazzaropi fez sucesso como o exemplo mais acabado do caipira brasileiro, quando, na verdade, era filho de um imigrante italiano e de uma descendente de portugueses. Nasceu e foi criado na Rua Vitorino Camilo, na Barra Funda. Começou a trabalhar muito cedo. Um dia, montou sua própria companhia onde estreou o tipo caipira, inspirado em Genésio e Sebastião Arruda, grande sucesso dos anos 30. Começou imitando Sebastião, por lhe parecer mais pacato; o pessoal gostou, bateu palmas… e ele continuou. O sucesso de seu personagem lhe valeu um convite para fazer rádio, então o grande veículo de comunicação. Foi direto para a melhor, a Rádio Tupi, onde contava “causos” intercalados por números musicais no programa Rancho Alegre, dirigido por Cassiano Gabus Mendes. De lá para a recém-nascida televisão foi um pulo. Um dia, Abílio Pereira de Almeida e Tom Payne descobriram Mazzaropi. Estavam à procura de alguém que, estrelando filmes baratos, equilibrasse as finanças da Companhia Vera Cruz. Acertaram na mosca. O primeiro filme, Sai da Frente, foi um tremendo sucesso, seguido de Nadando em Dinheiro e Candinho.

Mazzaropi deixou a Vera Cruz já pensando em assumir o controle de seus filmes, mas ainda fez O Gato de Madame e A Carrocinha, na Brasa Filmes, e Fuzileiro do Amor, O Noivo da Girafa e Chico Fumaça, com Osvaldo Massaini. Seu sonho se concretizaria em 58, quando comprou uma fazenda em Taubaté e lá montou seu próprio estúdio: a PAM Filmes. O primeiro filme feito na fazenda, que funcionava como uma cidade cenográfica, foi o Chofer de Praça. Mas foi em Jeca Tatu, que ele juntou definitivamente os tipos populares que havia feito até então, com o personagem do Jeca Tatu, de Monteiro Lobato. Nascia o caipira ingênuo e simples, mas esperto e malicioso, invariavelmente vestido com calças curtas, paletó apertado, camisa xadrez abotoada até em cima e um pito na boca.