Mazzaropi quadro a quadro

Cronologia Mazzaropi

Profa. Olga Rodrigues Nunes de Souza

A FAMÍLIA

1890: João José Ferreira e Maria Pitta Ferreira nascidos em Ponta do Sol, Portugal, chegam à Taubaté e vão morar numa chácara de onde tiram seu sustento cultivando hortaliças. Ali nascem Clara (12 de agosto de 1892) e seus seis irmãos.

Nos 1900, os Mazzaropi chegam ao Brasil: Amázzio e Ana e seus filhos Domingos e Bernardo.

Nascidos em Nápoles, Itália, começam a trabalhar na agricultura em Dourados-SP e depois no Paraná.

1910: Clara Ferreira e Bernardo Mazzaropi já casados, moram em São Paulo, no bairro de Santa Cecília. Ela, empregada doméstica, e ele, motorista de automóvel de aluguel.

1912: na pequena casa, nasce Amácio Mazzaropi, no dia 9 de abril.

MEU AVÔ ARTISTA

1914: a falta de dinheiro e o espírito inquieto do pai, levam a família Mazzaropi de volta para Taubaté, onde Bernardo vai trabalhar como operário têxtil na Companhia Taubaté Industrial – CTI.

1916: Clara torna-se tecelã da CTI e o pequeno Amácio fica uma temporada na casa dos avós maternos na cidade de Tremembé-SP. João José Ferreira, o avô português, exímio tocador de viola, bom dançarino de cana-verde e animador famoso das festas do bairro rural, leva sempre com ele os netos Amácio e Vitório Lazzarini.

1918: é inaugurada a Estação da Central do Brasil em Tremembé e o avô se apresenta com sua violinha. Amácio, aos 6 anos de idade, assiste embevecido.

1919: Bernardo não suporta a monotonia do trabalho na fábrica e decide voltar com a família para São Paulo. Mazzaropi ingressa no Grupo Escolar do Largo de São José do Belém. Bom aluno, tinha incrível facilidade para decorar poesias e logo vira o centro das atenções nas festas da escola como declamador-mor.

O SONHO DO CIRCO

1922: com a morte do avô e a dureza de sempre, os Mazzaropi voltam mais uma vez para Taubaté. Clara e Bernardo retomam o trabalho na CTI e abrem um botequim na residência da rua América, onde a família se reveza no atendimento aos fregueses.

Amácio é matriculado no Ginásio Washington Luís. Em casa, estuda e decora textos do livro Lira Teatral. No monólogo Chico, imita um tipo caipira que agrada em cheio numa festa da escola.

Freqüenta os circos que passam pela cidade e não esconde sua vontade de se tornar ator circense. Os pais, contrários à idéia, o mandam para a casa do tio Domingos Mazzaropi, em Curitiba. O objetivo é distanciá-lo da “perdição” dos palcos dos circos. Trabalha como caixeiro da loja de casimira da família, na rua XV de Novembro.

O AJUDANTE DO FAQUIR

1926: aos 14 anos, retorna à São Paulo com o mesmo sonho de atuar no circo. Conhece o famoso Ferry, faquir do Circo La Paz, e, para desespero dos pais, começa a viajar com eles. Nos intervalos das exibições do faquir, Amácio conta piadas e ganha por isso, um mirrado salário. Ferry consegue para ele um documento que transforma seus 14 em 19 anos. Agora ele podia contar as piadas picantes que o povo gostava.

1929: sem dinheiro, deixa o circo e volta para a casa dos pais em Taubaté. Torna-se tecelão da Companhia Taubaté Industrial, com um salário diário de 4.720 réis.

1931: de novo a fazer teatro, agora como ator e diretor no salão do Externato Sagrado Coração de Maria, do Convento de Santa Clara, em Taubaté.

1932: eclode a Revolução Constitucionalista. Em Taubaté, o Movimento de Arrecadação de Fundos para Donativos aos Soldados da Lei organiza, em conjunto com a Rádio Record de São Paulo, espetáculos com os maestros Martinez Grau, Fêgo Camargo, o folclorista Capitão Cornélio Pires e outros, num projeto denominado Theatro do Soldado.

O ARTISTA PERSISTE

A efervescência cultural de 32 anima Mazzaropi e ele estréia na Troupe Carrara, no cine Theatro Polytheama, em Taubaté, no papel de Eugênio Carvalho, na comédia HERANÇA DO PADRE JOÃO, de Baptista Machado.

1934: em 18 de março, estréia no cine Tremembé a Troupe Olga Crutt, uma das mais famosas, experientes e aplaudidas do interior do país. Mazzaropi ingressa na companhia. Em 30 de março, Olga Crutt troca seu nome artístico para Olga Mazzaropi. Em novembro, Amácio Mazzaropi se torna líder da nova companhia “Troupe Mazzaropi”.

1935: Amácio convence a família a seguir com a Troupe. Os pais, persuadidos, viram atores e ajudam na administração. Depois de uma turnê bem sucedida, resolvem montar um Pavilhão – um barracão de tábuas corridas, coberto de lona, com cadeiras e bancos de madeira para a platéia, o chamado Teatro de Emergência. Logo na estréia, em Jundiaí-SP, uma tempestade acaba com a apresentação. Caíram as paredes, e junto, quase vai o sonho. Só três dias depois do vendaval acontece a inauguração e o sucesso reanima as esperanças.

1935/1942: a Troupe Companhia Amácio Mazzaropi viaja pelo interior do Estado e as apresentações são largamente concorridas, mas falta dinheiro para melhorar a companhia.

O PAVILHÃO DOS SONHOS

1943: em fins de novembro, Amácio com 31 anos, recebe uma herança da avó Maria Pitta e realiza o sonho de colocar uma cobertura de zinco em seu pavilhão para, assim, poder estrear na capital.

O Jornal de São Paulo publica a crítica de Francisco Sá “O que vai pelo teatro”, onde elogia a atuação do jovem Amácio.

Terminada a temporada paulistana, o grupo viaja pelo Vale do Paraíba.

1944: o Pavilhão Mazzaropi reestréia em Pindamonhangaba e os soldados da FEB, aquartelados na região, têm cadeira cativa nos espetáculos.

Bernardo adoece e as despesas com seu tratamento complicam as finanças da companhia.

Mazzaropi é convidado para substituir Oscarito numa peça em cartaz no Teatro João Caetano no Rio de Janeiro. Oscarito, então o ator mais famoso do país, muda de idéia e Mazzaropi, sem dinheiro e decepcionado, volta para Pindamonhangaba e dissolve a companhia. Desmonta o teatro e o deixa no Pátio da Estação Ferroviária.

Em 29 de setembro, estréia em Taubaté a companhia do consagrado ator Nino Nello. Em Pindamonhangaba, no Basquete Clube Sociedade Esportiva Recreativa, estréia Mazzaropi. Os artistas se conhecem e resolvem fundir suas companhias.

Em 8 de novembro, morre Bernardo Mazzaropi, aos 56 anos

A ESTRÉIA NO TEATRO EM SÃO PAULO

Quatro dias depois da morte do pai, Amácio estréia ao lado de Nino Nello no Teatro Oberdã, em São Paulo. Mazzaropi é ator e diretor na peça FILHO DE SAPATEIRO, SAPATEIRO DEVE SER. A temporada recebe sucesso de público e crítica.

1945: no início do ano, Amácio retorna a Pindamonhangaba com a idéia de recuperar o pavilhão e trazê-lo para São Paulo, mas fica na cidade e recomeça as apresentações. Com vários contratempos e sem dinheiro, pede a um amigo oito mil cruzeiros emprestados. Em pouco tempo, consegue pagar a dívida e segue para São Paulo.

O pavilhão é instalado no bairro de Santana e a casa vive cheia. Passa a morar no Tucuruvi, de onde virá o apelido “Bernard Shaw do Tucuruvi” numa alusão cômica ao famoso ator inglês.

Com o sucesso do pavilhão, Mazzaropi assina contrato com o Teatro Colombo, onde atua por mais de um ano.

NA RÁDIO, O RANCHO ALEGRE

1946: em março, Mazzaropi é convidado por Demerval Costa Lima, diretor da Rádio Tupi de São Paulo, para fazer o programa Rancho Alegre. Com salário mensal de 700 cruzeiros, assina contrato de 3 meses. O programa é ao vivo todos os domingos às 19h45, no auditório da rádio, no Sumaré. A produção é de Cassiano Gabus Mendes e logo alcança grande audiência. Na primeira semana, Mazzaropi recebe cerca de 2.000 cartas de fãs.

O programa era simples, Mazzaropi contava umas piadas e, acompanhado de um sanfoneiro, cantava uma canção.

1947: Mazzaropi vira tema de um concurso promovido pela rádio: “Qual o verdadeiro nome de Mazzaropi?”. Os jornais publicam a pergunta em cupons. A apuração é feita no cine São Francisco, no dia 12 de outubro e, em meio à uma grande festa para a entrega dos prêmios, os ganhadores assistem a apresentação do homenageado.

As Emissoras Associadas criam o show Brigada da Alegria, com Mazzaropi, Linda Batista, Henricão e Rosa Maria (o “Barão das Cabrochas” e a “Cabrochinha do Samba”), Michel Allard, Hebe Camargo (“A Morena do Sumaré”), e excursionam por vários estados. Em Minas Gerais, Mazzaropi e Hebe fazem sucesso nas rádios Associada de Minas, Guarani e Mineira. Os espetáculos pelo país vão criando um público fiel que o acompanhará durante muitos anos. Em São Paulo, também é notável seu sucesso. Entrevistas, concursos, convites para shows de caridade, audições em clubes, boates, rádio e teatros pelo interior do estado.

No fim do ano, assina contrato com a Companhia Dercy Gonçalves e atua ao lado da famosa atriz, na super revista SABE LÁ O QUE É ISSO?, de Jorge Murad, Paulo Orlando e Humberto Cunha, no Cine Theatro Odeon.

O ator Mazzaropi, aos 36 anos, tem grande prestígio no teatro e na rádio com os programas na Tupi do Rio de Janeiro e Baré de Manaus.

A PRIMEIRA RISADA NA TV. E COM PATROCÍNIO

1950: em 18 de setembro, é inaugurada a primeira emissora de televisão brasileira, a TV Difusora de São Paulo, canal 3. Convidado para o show de estréia, Mazzaropi torna-se o primeiro humorista na TV. Inicialmente, à semelhança da rádio, apresenta-se sozinho, mas em poucos dias, a direção resolve lançar o programa RANCHO ALEGRE com Amácio e a atriz Geny Prado. Toda 4ª feira, às 21h00, sob a direção de Cassiano Gabus Mendes e patrocínio da Philco, o primeiro patrocinador da TV brasileira.

1951: em 20 de janeiro, Mazzaropi é enviado para o programa inaugural da TV Tupi do Rio, “o maior caipira do rádio brasileiro”. Mazzaropi agrada. Sucesso estrondoso. Passa a apresentar um quadro na TV Rio toda quinta, à noite.
Mazzaropi trabalha na Rádio e TV Tupi de São Paulo e do Rio de Janeiro, além de shows em teatros.

O CINEMA

1951: os diretores Abílio Pereira de Almeida e Tom Payne estavam no Nick Bar, em São Paulo, quando viram Mazzaropi na TV. Resolvem chamá-lo para um teste na Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Entre muitos candidatos, Mazzaropi é escolhido e contratado por 15 contos mensais, mais gratificação anual de 60 contos, para filmar SAI DA FRENTE. Mazzaropi está com 39 anos.

1952: o filme é lançado no dia 15 de junho em 12 cinemas de São Paulo.
A estréia no cinema projeta sua carreira artística. E na esteira do êxito, as Emissoras Associadas lançam o “Bernard Shaw do Tucuruvi”, na novela sertaneja O MEU MUNDO É AQUELE RANCHO, escrito pelo radialista Teixeira Filho.
Famoso, sua vida passa a ser contada em capítulos no jornal A Hora. Essas promoções e o sucesso de SAI DA FRENTE, fazem a Companhia Vera Cruz acelerar a produção de um novo filme com Mazzaropi: NADANDO EM DINHEIRO. Em 27 de outubro, estréia em 36 cinemas de São Paulo.

1953: Mazzaropi faz outro filme: CANDINHO.
A Companhia Vera Cruz já demonstra os primeiros sinais de problemas financeiros e atrasa a edição do filme.

1954: o lançamento só acontece em 25 de janeiro, no Cine Ipiranga e circuito de 25 salas. A obra é uma adaptação de CANDIDE, de Voltaire.

A Vera Cruz não vai nada bem, mas mesmo assim, Mazzaropi é um dos oito atores que a Companhia mantém contratado. Enquanto a Vera Cruz afunda na crise financeira, ele se preocupa com o futuro no rádio e, para surpresa geral, anuncia sua saída das Emissoras Associadas indo para a Rádio Nacional de São Paulo. O novo programa é transmitido aos sábados, às 21h30, com Mazzaropi em visitas aos clubes da cidade, onde conta piadas, canta e faz imitações. Fica no ar de 1953 a 1955.

1955: filma A CARROCINHA, numa produção da Fama Filmes e Produções Jaime Prades que, logo depois, de volta à Espanha, produz o clássico EL CID.

1956: faz seu 5º filme, O GATO DE MADAME, pela Brasil Filmes. Lançado no mesmo ano, o filme marca a estréia de Odete Lara no cinema.
Mazzaropi assina contrato com os irmãos Eurides e Eudes Ramos, da Cinelândia Filmes, do Rio de Janeiro, e Oswaldo Massaini, da Cinedistri, de São Paulo. Faz os filmes O FUZILEIRO DO AMOR e O NOIVO DA GIRAFA, o primeiro lançado em 1956 e o outro no ano seguinte.

1958: seu 8º filme, CHICO FUMAÇA, é produzido pela Cinedistri.

SURGE A PAM FILMES

Pronto o filme, Mazzaropi acha que chegou o momento de arriscar alto, era tudo ou nada, e resolve criar sua própria produtora, a Produções Amácio Mazzaropi (P.A.M. FILMES). Com recursos próprios, inicia as filmagens de CHOFER DE PRAÇA. Para produzir o filme, Mazzaropi vende a casa, carro e tudo que podia para alugar os estúdios e equipamentos da Companhia Vera Cruz. Além de produzir, Mazzaropi passa a cuidar do lançamento e distribuição de seus filmes por todo o Brasil controlando na bilheteria o resultado dos filmes. Estava com 46 anos.

1959: em cartaz, CHICO FUMAÇA e CHOFER DE PRAÇA.
Mazzaropi aceita o convite de José Bonifácio de Oliveira, o Boni, na época da TV Excelsior de São Paulo, para fazer um programa de variedades que ficará no ar até 1962. No programa, além de contar piadas e cantar, recebia convidados.
No final do ano, filma JECA TATU.

1960: o filme chega aos cinemas em 25 de janeiro de 1960. Mazzaropi inicia as filmagens de seu 11º filme AS AVENTURAS DE PEDRO MALASARTES, obra que marca sua estréia na direção. O filme foi lançado em 5 de outubro. Num ritmo frenético, Mazzaropi inicia um novo filme.

1961: ZÉ DO PERIQUITO é lançado em 1 de maio.

A FAZENDA SANTA

Ainda em 61, Mazzaropi adquire os 184 alqueires da Fazenda da Santa e inicia a construção do primeiro estúdio.

Realiza TRISTEZA DO JECA, o primeiro filme colorido, em Eastmancolor, com revelação e trucagem feitas na cidade do México. Lançado em setembro, o filme é um sucesso e motivo de orgulho para Mazzaropi. Pela primeira vez, um filme seu era exibido na TV, no Festival de Cinema Brasileiro da TV Excelsior, em outubro.
Ainda naquele ano, roda seu 14º filme: O VENDEDOR DE LINGÜIÇA.

1962: o filme estréia em 30 de abril.
Este foi um ano promissor para Amácio Mazzaropi. Produz A CASINHA PEQUENINA, completa 50 anos e é convidado para o programa BRASIL 62, de Bibi Ferreira, na TV Excelsior, de São Paulo.

TRISTEZA DO JECA é contemplado duplamente com o prêmio Cidade de São Paulo: melhor ator coadjuvante para Genésio Arruda e melhor música para Hector Lagna Fietta.

No final do ano, o cineasta arremata em leilão a metade dos equipamentos da Vera Cruz.

1963: A CASINHA PEQUENINA, filme colorido, é considerado pela crítica como um épico. Lançado em 21 de janeiro, marca a estréia de Tarcísio Meira e Luis Gustavo no cinema.

Com a ajuda de Agostinho Martins Pereira, Mazzaropi importa equipamentos de som direto.
Produz O LAMPARINA totalmente rodado na Fazenda (da) Santa.

1964: o filme é lançado em 20 de janeiro, em 23 cinemas da capital. Realiza MEU JAPÃO BRASILEIRO.

1965: lança o filme e começa a produzir O PURITANO DA RUA AUGUSTA, em homenagem à famosa rua da cidade de São Paulo.

1966: lança o filme e produz O CORINTHIANO.
É homenageado no 3º Festival do Cinema Brasileiro de Teresópolis. Recebe também o Troféu da Simpatia Popular no Programa Silvio Santos.

1967: Estréia O CORINTHIANO, em 23 de janeiro, com a presença da torcida organizada Os Gaviões da Fiel.

Produz o 20º filme da sua carreira, O JECA E A FREIRA.
Mazzaropi recebe o troféu de Campeão de Bilheteria no 4º Festival de Teresópolis.

1968: em 17 de janeiro, recebe e manda emoldurar, o bilhete de Austragésilo de Athayde, presidente da Academia Brasileira de Letras, sobre o recém-lançado O JECA E A FREIRA: “…Mazzaropi alcançou, no cinema, o mais alto nível de sua arte. É hoje, sem nenhum favor, um artista de categoria mundial.”
Produz NO PARAÍSO DAS SOLTEIRONAS.

1969: o filme chega aos cinemas em 23 de janeiro e rende, até 19 de fevereiro de 1970, 2 bilhões e 650 milhões de cruzeiros.
Produz e lança no mesmo ano UMA PISTOLA PARA DJECA. É um dos grandes sucessos de bilheteria no País. Mazzaropi recebe do Instituto Nacional de Cinema (INC), o prêmio de Cr$ 186.168,43 – correspondente a 5% da renda do filme.

1970: realiza sua obra autobiográfica, BETÃO RONCA FERRO.

1971: lança o filme em 23 de janeiro e produz O GRANDE XERIFE. Quase simultaneamente, roda UM CAIPIRA EM BARILOCHE, sua 25ª obra cinematográfica.

1972: lança, em 22 de janeiro, O GRANDE XERIFE.

Encontra-se em 18 de outubro, com o Presidente da República Emílio Garrastazu Médici, no Palácio da Alvorada, em Brasília. Na ocasião, Mazzaropi solicita maior apoio ao cinema brasileiro.

1973: lança UM CAIPIRA EM BARILOCHE sua primeira película rodada no exterior. Roda PORTUGAL, MINHA SAUDADE, no Brasil e em Portugal.

1974: lança o filme em 21 de janeiro. Sobre UM CAIPIRA EM BARILOCHE, o respeitado crítico e intelectual Paulo Emílio Salles Gomes faz uma análise séria e sem paixão assegurando que, na verdade, “ele atinge o fundo arcaico da sociedade brasileira e de cada um de nós”. Mazzaropi se incorpora ao universo da cultura popular brasileira.

Ainda nesse ano filma O JECA MACUMBEIRO que entra em cartaz no ano seguinte.

UMA INDÚSTRIA DE CINEMA

1975: produz JECA CONTRA O CAPETA (28º).

O ano marca o início das construções do novo estúdio localizado no Bairro dos Remédios, em Taubaté, numa área de 160 mil m², com 20 apartamentos luxuosos, restaurantes, estúdio de 1.000 m², piscina, lago, alojamentos para equipe técnica e artistas, reserva técnica, oficina de cenários, carpintaria e outras instalações. O novo local leva o nome Hotel Studio PAM Filmes.

JECA CONTRA O CAPETA é produzido simultaneamente nos dois estúdios.

1976: lança o filme em 1 de março.

1977: produz JECÃO…UM FOFOQUEIRO NO CÉU (29º) e o lança em junho. Em 17 de fevereiro, Mazzaropi se encontra com o Presidente Ernesto Geisel, em Taubaté. Foi um encontro rápido e falaram só de cinema.

Filma O JECA E SEU FILHO PRETO (30º).

1978: lançamento do filme. Conforme Rubens Biáfora, o filme enfoca “o problema racial entre nós, segundo a ótica de Mazzaropi, mas talvez não com a coerência ou a obediência à moral convencional, que lhes deveriam ser inerentes e indispensáveis”.

Em 7 de setembro, Mazzaropi é recebido, em Taubaté, pelo Presidente General João Baptista Figueiredo e o encontro se resumiu em um abraço num palanque e aplausos para o ator.

Roda A BANDA DAS VELHAS VIRGENS (31º).

1979: lança o filme e já bastante debilitado pela doença, faz O JECA E A ÉGUA MILAGROSA, seu 32º e último filme.

1980: depois do lançamento do filme, começa a produção de MARIA TOMBA HOMEM, obra jamais realizada.

1981: Amácio Mazzaropi morre aos 69 anos, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, no dia 13 de junho; causa mortis, septicemia.

No mesmo dia é sepultado em Pindamonhangaba-SP, no Cemitério Municipal da Cidade, onde seu pai Bernardo Mazzaropi já estava enterrado.

1983: Clara Ferreira Mazzaropi morre em 12 de março, aos 91 anos, no Hospital Albert Einstein de São Paulo; causa mortis, broncopneumonia. Está enterrada também em Pindamonhangaba, junto ao marido e o filho.

1991: é criado o Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH) da Universidade de Taubaté que inicia o trabalho de recuperação da história de Amácio Mazzaropi.

1992: a Universidade de Taubaté e o Hotel Fazenda Mazzaropi assinam um acordo de comodato. O CDPH e o Museu do Homem Caipira são transferidos para uma área cedida pelo Hotel. Os acervos sobre Mazzaropi da Universidade e do Hotel são expostos ao público e a pesquisa é intensificada.

1993: é instituído pela Câmara Municipal de Taubaté, por iniciativa do vereador Roberto Peixoto, o Dia Mazzaropi.

1994: é realizada a exposição “Mazzaropi. A imagem de um caipira” no SESC Interlagos, São Paulo, numa realização conjunta da Universidade de Taubaté, Hotel Fazenda Mazzaropi e SESC. O evento é visitado por mais de 200 mil pessoas.

Paralelo ao evento, é publicado o catálogo “Mazzaropi. A imagem de um caipira”.
Encerrado o comodato entre a UNITAU e o Hotel Fazenda Mazzaropi, o CDPH continua suas pesquisas sobre o cineasta e o Hotel inaugura o Museu Mazzaropi dando início a uma série de ações que visam recuperar e divulgar a memória do ator.

1996: o Museu passa a promover, sempre em abril, a Semana Mazzaropi.

1998: é feito um convênio de cooperação cultural entre a Universidade de Taubaté e Hotel Fazenda Mazzaropi.

2000: o Museu Mazzaropi, em parceria com a Votorantim, começa a restauração da Fazenda Santa onde Mazzaropi montou seu primeiro estúdio de cinema.

(*) A autora é Coordenadora do Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH) da Universidade de Taubaté, membro do Instituto de Estudos Valeparaibanos (IEV) e membro do Conselho Municipal de Turismo, Patrimônio, de São Luiz do Paraitinga (COMTUR).

Este texto foi originalmente publicado no Jornal do Mazza para a Semana Mazzaropi de abril de 2000.
Jornal do Mazza é uma publicação do Museu Mazzaropi entidade mantida pelo Instituto Mazzaropi – Taubaté, SP.

Edição: Claudio Antonio Marques Luiz.

Pesquisa e texto: Profa. Olga Rodrigues Nunes de Souza.

Jornalista responsável: Rosimeire Aparecida dos Reis MTB 026765.

Fotos: acervo do Museu Mazzaropi, CDPH/Universidade de Taubaté e da autora.

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